Olho para o relógio e o som do ponteiro que avança freneticamente confunde-se com o bater do meu coração. Cada segundo que passa é um segundo a menos que irei passar contigo, isto se acabar por te apanhar antes da tua partida. Levantei-me a pensar em ti. Levantei-me a pensar nisso. Como quando um pensamento persistente nos obriga, se é que possamos chamar a isso obrigação, a seguir o nosso instinto. Fiquei preso no trânsito e receio não chegar a tempo. A tempo de quê? Não sei. Sei que te quero ver e falar e abraçar, e sei de algo que ainda não me apercebi. Receio não chegar a tempo de estar contigo. Nem que seja um segundo. Sentir o frenesi do coração a bater.
Chego ao aeroporto e deparo-me à procura do painel de informação dos voos. O embarque já começou. Começo a andar. Tão de depressa que o meu coração bate. O barulho do meu pé a tocar o chão do aeroporto mistura-se com o som que se ouve dentro de mim. E assim que me aproximo da porta de embarque fico mais angustiado. Cruzo-me com pessoas que se aparecem contigo. Por momentos acreditei que fosse tu. Mas não era. Ponho-me a olhar à minha volta, tentando encontrar-te. Estás de costas virada para mim. Reconheço-te esse andar firme e suave, o teu corpo esguio, e de longe ponho-me a imaginar o teu sorriso. Na minha corrida atrás de ti, reduzi o passo para te admirar. Até sentir a tua cara virar-se para mim, o espanto nos teus olhos, e um sorriso erguer nos teus lábios.
Receio não chegar a tempo, e agora que a tempo cheguei, continuo sem saber o que fazer. Aqui cheguei seguindo o instinto, um desejo desconhecido, e agora continuo a seguir esse mesmo instinto que me levou a ti. Abraço-te. Tão forte, como te dizendo para não me deixares. Tão forte para sentires o frenesi do coração a bater. Sinto as tuas mãos apertando as minhas costas, e ouves uma suave voz, colada ao teu ouvido, a desejar-te boa viagem. Descolando do teu ouvido, meus lábios roçam a tua cara... até chegar perto dos teus lábios. Sinto os teus olhos a cruzarem o meu olhar... até se fecharem e deixares-te levar pela loucura do meu beijo. Tão intenso que perdemos a noção do espaço. Tão longo que perdemos a noção do tempo. Tão forte que sinto o som produzido por tua alma.
Tão forte como a saudade que, já, sinto ao te ver embarcar. Há gente que costuma virar-se, antes de entrar no longo corredor que te leva ao avião, mas tu não. Continuas no teu passo certo a caminho de um, ainda, desconhecido lugar. E eu fico inerte, a te ver fugir.
Sei que te vais embora, e sei que cá voltarás. Sei que de mim sais, mas não sei se para mim voltas. Vejo um avião a descolar, e imagino-me ao teu lado. Descolas e voas para onde os meus olhos não te poderão ver, mas continuo a sentir o teu perfume, a sentir a tua presença. Volto para trás e receio. Receio deixar, aqui, uma parte de mim. Receio o momento em que voltarás. Receio o desconhecido, embora no fundo de nós, o desejo de voltar a sentir o calor de nossos lábios seja mútuo. Num passo lento encaminho-me para o carro, nessa sala de espera vazia, onde minutos antes se cruzavam pessoas de todo o mundo, onde a diversidade humana se misturava alegremente. Nessa sala onde, minutos antes, o meu olhar escrutava minuciosamente as pessoas, até te encontrar. As caras que se apareciam contigo desapareceram, deixando esse lugar deserto. Deserto como as noites que vou passar sem ouvir a tua voz, sem poder despedir-me de ti antes de adormeceres.
Deserto é o sentimento que minha alma receia. Um desconhecido que irá quebrar o caminho até agora percorrido. Um desconhecido que se pode evitar.
Chego ao carro, e deixo-me levar pela música. Assim como me deixei levar pelo instinto, pelos sentimentos, assim como tentei tornar cada momento único. Encontrar o mais belo onde ninguém o tinha, antes, procurado. E oferecer-te o mais raro e belo e sincero dos sentimentos. Encaminhar junto a ti, e inventar o futuro. Conduzir de passo firme e suave nesse caminho, e encontrar as belezas do mundo, da vida. Criar as que não existem, continuar a inventar esse longínquo caminho que nos resta a percorrer.
Esperar por ti. Esperar por ti, porque sem ti se perde o mais lindo dos momentos, sem ti, não há lábios com os quais partilhar beijos, não há sorrisos por inventar, palavras por dizer, não há caminho por percorrer...
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EDIT du 12 juin : Traduction en français
Je regarde l'horloge et le son de l'aiguille qui avance frénétiquement se confond avec le battement de mon c½ur. Chaque seconde qui passe est une seconde en moins que je passerais avec toi, cela si je réussis à te trouver avant ton départ. Je me suis réveillé en pensant à toi. Je me suis réveillé en pensant à ça. Comme quand une pensée persistante nous oblige, si on peut appeler cela obligation, à suivre notre instinct. J'ai fini par être retardé par le transit en ville, et je crains de ne pouvoir arriver à temps. A temps de quoi ? Je ne sais pas. Je sais que je désire te voir et te parler et te prendre dans mes bras, et je sais de quelque chose dont je ne sais, encore, ce que c'est. Je crains de ne pas arriver à temps d'être avec toi. Ne serait-ce qu'une seconde. Sentir la frénésie du battement du c½ur.
J'arrive à l'aéroport et je me trouve face au panneau d'information des vols. L'embarquement a déjà commencé. Je me mets à marcher. Aussi vite que mon c½ur bat. Le bruit de mon pied touchant le sol se mélange avec le son qu'on peut entendre en moi. Et ainsi que je m'approche de la porte d'embarquement, je deviens plus angoissé. Je me croise avec des personnes qui te ressemblent. Par moments, j'ai cru que c'était toi. Mais ce n'était pas toi. Je me mets à regarder autours de moi, tentant de te trouver... Tu es de dos tournée vers moi. Je reconnais ce pas ferme et souple, ton corps svelte, et, de loin, j'imagine ton sourire. Dans ma course vers toi, j'ai réduit le pas afin de mieux t'admirer. Jusqu'à sentir ton visage se tournant vers moi, l'étonnement dans tes yeux, et un sourire se dressant sur tes lèvres.
J'ai eu peur de ne pas arriver à temps, et maintenant qu'à temps je suis arrivé, je continue sans savoir que faire. Je suis arrivé ici en suivant l'instinct, un désir méconnu, et maintenant je continue à suivre ce même instinct qui, à toi, m'a emporté. Je te serre dans mes bras. Si fort, pour te dire de ne pas me laisser. Si fort pour que tu sentes la frénésie du c½ur qui bat. Tes mains posées sur mon dos me serrent contre toi, et tu entends une douce voix, colée à ton oreille, te souhaitant un bon voyage. Décollant de ton oreille, mes lèvres effleurent ton visage... jusqu'à arriver près des tiennes. Tes yeux croisent mon regard... jusqu'à ce qu'ils se ferment et que tu te laisses emporter par la folie de mon baiser. Si intense que nous perdons la notion de l'espace. Si long que nous perdons la notion du temps. SI fort que je ressens le son produit par ton âme.
Si fort comme la nostalgie que, déjà, je ressens en te voyant embarquer. Certaines personnes ont l'habitude de se retourner avant d'entrer dans le long couloir qui mène à l'avion, mais toi non. Tu continues, dans ton pas sûr, à chemin d'un, encore, inconnu endroit. Et je reste inerte, à te voir partir.
Je sais que tu t'en vas, et je sais que tu reviendras. Je sais que de moi tu pars, mais je ne sais si vers moi tu reviendras. Je vois un avion décoller, et je m'imagine à ton côté. Tu décolles et voles vers où mes yeux ne pourront voir, mais je continue à sentir ton parfum, à sentir ta présence. Je retourne en arrière et j'ai peur. Peur de laisser, ici, une partie de moi. Peur de ton retour. Peur de l'inconnu, malgré qu'au fond de nous, le désir de sentir, à nouveau, la chaleur de nos lèvres soit mutuel. Dans un pas lent je chemine vers la voiture, dans cette salle d'attente vide, où minutes auparavant se croisaient des personnes du monde entier, où la diversité humaine se mélangeait allègrement. Dans cette salle où, minutes auparavant, mon regard scrutait minutieusement les personnes, avant de te trouver. Les visages que se ressemblaient avec toi ont disparu, laissant cet endroit désert. Désert comme les nuits que je vais passer sans entendre ta voix, sans pouvoir m'endormir avec toi.
Désert est le sentiment que mon âme craint. Un inconnu qui pourrait détruire le chemin jusqu'à présent parcouru. Un inconnu qui peut être évité.